terça-feira, 13 de julho de 2010

Dia 101: Sopa de Dois Chocolates

Ser chocólatra vem com o DNA da pessoa, isso eu tenho certeza!

Toda a minha família sempre foi "fissurada" por chocolate. Meu tio Paul Sabbagh, quando vinha de viagem, na longínqua década de 60, trazia barras enormes de chocolate Cadbury, inéditas aqui no Brasil.

Isso passou para a terceira geração: no aniversário de um ano de minha filha mais velha, Manoela Penna, ela ganhou de uma amiga minha, Valéria Varsano, uma história em quadrinhos (que encomendou a um quadrinhista) em que a pequena aniversariante era a personagem principal... e o objeto de desejo eram... chocolates! Também meu filho Caetano Penna sempre foi fã dos suíços Lindt (o site deles vale a visita: é um show!), comprados no Duty Free por qualquer amigo ou parente viajante, até que agora se encontram em qualquer canto.

Passam-se os anos, casei com Jorge Aldrovandi que é... chocólatra (ele nega)! Adora chocolate branco bem doce. Eu e minha caçulinha... Elisa Christophe... adoramos chocolate meio-amargo e até bem amargo!

O problema é que na falta de chocolate branco na despensa... vale tudo, imaginem!

Assim é que qualquer receita de chocolate atrai nossa atenção.

Procurando uma sopa doce de sobremesa para a festa da Sopa de Pedras, entre as muitas dezenas que encontrei, escolhi... uma sopa de chocolate. Mas não qualquer uma, uma sopa estrelada, de autoria do aclamado chef francês Cyril Lignac. Ele serviu de inspiração e eu a adaptei ao nosso gosto e ingredientes.

Encontrei-a no no excelente blog Le Cahier Gourmand de Sophie.
Claro que fiz minha adaptação: utilizei sorvete de chocolate branco, Galak, da Nestlé.

Uma delícia, facílima de fazer, encanta adultos e crianças.

É uma típica sopa "de casamento" (se eu a conhecesse há 21 meses, certamente a teria servido em nosso casamento, junto com a Sopa Maritata) pois une dois contrários: os sabores quente-frio do chocolate e do sorvete.

Sem dúvida ela faz "bonito e gostoso" no dia a dia e como sopa de festa.

Receita de Sopa de Dois Chocolates
(sobremesa vapt-vupt)

Ingredientes (para 10 pessoas):
  • 500 g de creme de leite culinário fresco
  • 3 colheres (de sopa) de açúcar
  • 100 g de creme de leite
  • 150 g de chocolate meio amargo
  • 10 bolas de sorvete de chocolate branco
  • 1 pacotinho de granulado de chocolate preto e branco
Modo de fazer:
  • Prepare o creme chantilly, batendo o creme de leite bem gelado na velocidade rápida da batedeira, com algumas (poucas) colheres de açúcar. Reserve (pode ser preparado antecipadamente e colocado na geladeira).
  • Derreta o chocolate picado misturado ao restante do creme de leite (100ml) em banho-maria, mexendo sempre (pode ser preparado antecipadamente, e esquentado na hora de servir).
  • Na hora de servir a sobremesa, aqueça bem o creme de chocolate, levando à fervura a água do banho maria e mexendo sempre o creme de chocolate.
  • Apague a chama e verta o chocolate sobre o chantilly, misturando delicadamente com uma colher de pau limpa.
  • Coloque uma bola de sorvete em um copo ou caneca de vidro, cubra com a sopa.
  • Salpique com granulado e sirva imediatamente.
Dica 1: se não encontrar sorvete de chocolate branco, substitua por sorvete de creme ou baunilha.

Dica 2: se a sopa ficar muito espessa, afine com leite (aos poucos), na panela do banho-maria, depois de tudo derretido.
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domingo, 11 de julho de 2010

Dia 100: Sopa de Pedras

E chegamos à centésima sopa deste nosso blog!

Centésima sopa preparada com nossas mãos e energia, centésima sopa saboreada, centésimo encontro, centésimo pretexto para compartilhar bons momentos.

Ficamos pensando como marcar este dia. Decidimos que queríamos celebrá-lo com amigos. E eu com meu pendor de contar histórias... (acho que isso veio no sangue, do lado de meu pai, Joseph Dimitri Christophe, que era um ótimo contador de histórias, sentava à beira da minha cama toda noite e contava uma história inventada... e aí era um drama porque meu irmão Jean-Claude Christophe queria a história do mesmo jeito todo dia). Bem, eu comentava... este viés pela história me fez lembar dos ritos de abundância e fecundidade dos povos primitivos. Queria celebrar a abundância que todos os dias provê nosso alimento à mesa. Também queria que fosse alguma coisa bem lúdica e alegre.

Daí lembrei de uma lenda que tinha lido numa dessas vezes em que estava pesquisando tradições culinárias pelo mundo: a sopa de pedras portuguesa. Pesquisando um pouco mais, descobri que a França e a Inglaterra também têm sua sopa de pedra (stone soup / soupe aux pierres). E é claro que a tradição atravessou o Atlântico com a sopa de pedra brasileira, do malandro Pedro Malasartes, eternizado no conto de Ana Maria Machado.

Perfeita a história, perfeita a brincadeira para unir amigos.

Convidamos alguns dentre tantos queridos, porque estes seguem de perto nossos passos e repetem as sopas, ou nos servem de cobaias!

E pela primeira vez, vamos abrir exceção e publicar neste espaço foto de gente, preparando a sopa. Que esta é a graça, preparar juntos, com ingredientes trazidos pela própria pessoa.

Vamos então à aventura:

Primeiro, vamos ler e ouvir o depoimento de Jorge Aldrovandi, meu marido e companheiro de experiências, não só neste blog:

"Que yo recuerde, la primera vez que leí una historia en relación a la sopa de piedra fue en uno de los libros de aprendizaje de lectura de la escuela pública en Uruguay, cuando yo tenía unos 10 años.

Siempre me pareció una historia con una moraleja por atrás, pero no estaba claro para mi, si era una reflexión acerca de la "viveza criolla" o un himno sensorial al potencial de la cooperación humana.

Durante la sopa de piedra que hicimos aquí en casa, donde conseguimos colectivamente un resultado sorprendente que comenzó en un "casi nada", esta sopa "open source" , ou melhor, "crowd source" parece ser una buena manera de demostrarnos a nosotros mismos que el camino puede ser tan interesante como el resultado y este puede ser una incógnita absolutamente disfrutable de crear, des-cubrir y des-tapar. Buen provecho!"

No passeio pelas culturas que comentei, encontrei a lenda da sopa de pedras, associada sempre à fome em certas épocas de guerra ou catástrofes, e à esperteza de quem tenta driblar a negativa dos habitantes em compartilhar o alimento com um forasteiro.

Em inglês a história começa assim: "Once upon a time, there was a great famine upon the land. Three soldiers, hungry and weary of battle, came upon a small and impoverished village".
Na Bretanha, França, o viajante da lenda tem até nome: Charlie. "Un homme qui s'appelait Charlie, était un voyageur agricole qui parcourait la France à la recherche de travail. Il avait faim . Il croisa un homme , un vagabond sur son chemin".

Mas a tradição dessa sopa de pedras e da que me inspirou vem de Portugal, da região do Ribatejo, e tem até uma capital da sopa de pedras que é a bela cidade de Almeirim.
Lá, contam os portugueses que...

"Um frade pobre, que andava em peregrinação, chegou a uma casa e, orgulhoso demais para simplesmente pedir comida, pediu aos donos da casa que lhe emprestassem uma panela para ele preparar uma sopa – de pedra... E tirou do seu bornal uma bela pedra lisa e bem lavada. Os donos da casa ficaram curiosos e, de imediato, deixaram entrar o frade para a cozinha e deram-lhe a panela. O frade colocou a panela ao lume só com a pedra, mas logo disse que era preciso temperar a sopa... A dona da casa deu-lhe o sal, mas ele sugeriu que era melhor se fosse um bocado de chouriço ou toucinho. E lá foi o unto para junto da pedra. Então, o frade perguntou se não tinham qualquer coisa para engrossar a sopa , como batatas ou feijão que tivessem restado da refeição anterior... Assim se engrossou a sopa “de pedra”. Juntaram-se cenouras, mais a carne que estava junta com o feijão e, evidentemente, resultou numa excelente sopa.
Comeram juntos a sopa e, no final, o frade retirou cuidadosamente a pedra da panela, lavou-a e voltou a guardá-la no seu bornal... para a sopa seguinte!"

A preparação:

Pedimos a cada casal que trouxesse um legume, uma verdura, uma carne (podia ser chouriço, paio, linguiça, costelinha, o que fosse), uma massinha ou cereal. Uma coisa só.

Eu comprei algumas pedras roladas pequenas, no Mundo Verde, porque queria presentear os amigos, para que levassem de volta uma pedra para a próxima sopa. E utilizei no fundo da panela pedras de minha coleção (sim, coleciono pedras dos lugares que amo, sempre que as encontro soltas e que me atraem). Escolhi as pedras da sopa pelas cores, por sua energia especial (verde para a cura, rosa para o amor, amarelo para a emoção, violeta para a transmutação, e assim por diante).

Também providenciamos alguns ingredientes básicos, caso ninguém os trouxessem: cebola, alho, alho porró, e um chouriço português, autêntico, que comprei no pequeno supermercado em que se transformou a Panificação União, aqui perto, no Humaitá. Pães variados, como o português sacadura, as baguetes e o pão rústico italiano aguardavam à mesa.

Os amigos trouxeram vinhos tintos que se somaram aos nossos para a festa.

Mas além dos ingredientes, vinhos, m]ão de obra, os amigos trouxeram seus conhecimentos e experiências e muita alegria. Várias dicas desta sopa são de autoria de Márcio Goldzweig, por exemplo, o feijão socado com alho para engrossar, o farelo de pão, ferver as linguiças para desengordurar... Daí o que Jorge gosta de chamar de crowd source, o conhecimento do coletivo.

Avisamos a todos que crianças são bem-vindas, como sempre foram em nossa casa. Claudio e Patrícia Chalom trouxeram a Bruna, que ajudou com seus dedinhos delicados a desfolhar o frágil aneto (também chamado de endro ou dill). Depois, ficou mexendo o chocolate para a sopa de sobremesa e por fim repartiu as pedras!

Cozinhando com amigos:

A dona da casa deve atuar neste dia como um maestro de uma orquestra, para não desandar a festa. Pode e deve recrutar quem tem algum talento para a cozinha ou quem tem disposição de verdade para auxiliar nos preparativos que são muitos. Como todos chegam praticamente juntos, precisa ter espaço reservado para lavar, picar e reservar os ingredientes. Se algum faltar, entram os coringas da casa. Se algum definitivamente não combinar com nada, precisa saber estrategicamente fazê-lo desaparecer de circulação ou colocar o mínimo para não entristecer quem o trouxe. E quem só agita, pode ser convidado a relaxar e aproveitar a festa na sala, cuidar das bebidas ou simplesmente conversar! É muito divertido!

Esperamos que nossa experiência sirva de inspiração para quem se animar a criar sua própria sopa de pedras. Nenhuma sairá igual à outra, e todas serão deliciosas e responsáveis por momentos inesquecíveis entre amigos e família.

Receita de Sopa de Pedras
(assim saiu a nossa)

Ingredientes (para 12 pessoas):
  • pedras de tamanhos, cores e formatos variados
  • 2 cebolas grandes
  • 6 dentes de alho
  • 1 alho porró
  • 4 batatas-baroas
  • 1/2 nabo japonês
  • 4 tomates maduros
  • uma bandeja de cogumelos shitake cortados em tirinhas
  • 2 cenouras
  • 1 pedaço de gengibre
  • 2 talos de aipo
  • 1 maço de couve
  • 100 g de feijão manteiga
  • 1 chouriço
  • 1 linguiça calabresa
  • uma xícara de chá de massinha de letrinhas (se houver crianças entre os comensais).
  • dois ramos de salsa
  • sal
  • harissa (molho de pimenta marroquino, mas a nossa malagueta é ótima)
  • água que baste
  • alguns ramos de aneto
  • queijo pecorino ou grana padano (ou algum queijo parmeson de boa qualidade), ralado no ralo grosso.
Modo de fazer:
  • Limpe as pedras com detergente e água corrente, utilizando uma escovinha. Enxágue muito bem e reserve.
  • Cozinhe o feijão à parte em água e pouco sal e reserve.
  • Corte a linguiça e o chouriço e coloque numa panela com água para ferver e tirar o excesso de sal e gordura. Atenção que o melhor é não deixar abrir completamente a fervura, jogar a primeira água fora, acrescentar água limpa e reperir o processo enquanto se prepara o resto.
  • Escolha uma panela bem grande e coloque as pedras no fundo, cobertas de água, com fogo baixo para que quando os convidados chegarem ela esteja fervendo.
  • Mantenha uma chaleira com água fervente para acrescentar à panela de sopa, na medida do necessário.
  • Prepare todos os ingredientes à medida que forem chegando: lave tudo, pique as cebolas e o alho, os talos de aipo e o alho porró, os tomates, as batatas baroas, as cenouras. Tire o talo das couves, faça charutinhos e corte fino como para couve à mineira. Lave a salsa e o aneto e desfolhe-os.
  • Vá colocando os ingredientes mais duros primeiro, depois os legumes, as carnes e por último as folhas e a salsa. Deixe o aneto em uma tigelinha à parte para servir à mesa.
  • Soque o feijão com o alho picado e um pouco de sal, o que dará uma ótima textura à sopa.
  • Os ingredientes devem estar sempre cobertos pela água dentro da panela.
  • Sempre com a chama baixa, deixe a sopa ferver em panela destampada por no mínimo 40 minutos, para integrar bem os ingredientes.
  • Tempere com sal e pimenta só ao final, nos últimos cinco minutos de cozimento.
  • Também neste momento acrescente a couve cortadinha, para que não amarele.
  • Divida em uma ou duas sopeiras e leve à mesa bem quente.
Dica 1: as pedras não podem ser muito pequenas, para não correr o risco de irem à boca numa colherada e quebrar um dente.

Dica 2: como chef e maestrina, você regula as quantidades, se achar o resultado na panela pouco, lance mão de suas reservas, mesmo que não tenham sido trazidas pelos convidados: batatas, cebolas, tomates são ótimos para isso. Se já não tiver massinha na panela, até arroz cozido dá conta do recado. Para engrossar, vale miolo de pão dormido esfarelado no caldo.

Dica 3: deixe sua mesa preparada com os pães, o queijo ralado, os temperos (pimentas, sal, aneto ou outra erva) e um bom azeite, que cada um serve a gosto, sobre o prato de sopa.

Dica 4: quem achar uma pedra no prato a leva para a próxima sopa; quem não achar nenhuma pesca uma na panela ou da sopeira ao final da refeição, já que por serem pesadas elas tendem a ficar no fundo.
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quinta-feira, 8 de julho de 2010

Dia 099: Sopa Verde com Quinua

Ainda estamos descobrindo os múltiplos usos da quinua, o fruto da palmeira utilizada pelos incas, cuja história apresentei na sopa do dia 054 neste espaço. Já tentei usar como uma espécie de arroz, acompanhando a refeição, ou substituindo o trigo no tabule. Fica bem gostoso.

O que mais me agrada é da textura do grãozinho sob os dentes, quando a quinua é colocada na sopa. Por isso, vai uma segunda experiência de sopa com quinua. Desta vez, nós tínhamos um pouco de brócolis em casa e um caldo de galinha (feito em casa) congelado. Só. O caldo de galinha tinha sido feito com asas de frango, cebola, alho, louro, cenoura e tomate. Uma hora e meia cozinhando em fogo baixo, depois de pronto tirei os legumes e congelei em porções.

Por cima da sopa, um fio do indispensável azeite. Tenho gostado muito dos azeites gregos que compro tanto no Zona Sul como na Farinha Pura, ambos aqui em Botafogo/Humaitá.


Receita de Sopa Verde com Quinua

Ingredientes (para 2 pessoas):
  • 1/2 litro de caldo de galinha (de preferência feito em casa);
  • metade de um brócolis americano;
  • 1 cebola;
  • 1 dente de alho;
  • dois punhados de quinua;
  • 1 colher (de chá) de sal;
  • azeite extra-virgem.

Modo de fazer:

  • enquanto descongela o caldo de galinha numa panela em fogo baixo, vá preparando os vegetais: descasque e pique a cebola bem miudinha; descasque e pique ou esprema o alho; desfaça os buquês do brócolis, corte com a faca bem miudinho, batendo sobre uma tábua (inclusive os talos mais tenros);
  • numa panela funda, aqueça duas colheres de sopa de azeite e refogue aí a cebola e o alho;
  • acrescente a batata e o brócolis, mexa um pouco e cubra com o caldo de galinha;
  • deixe levantar fervura e abaixe a chama;
  • acrescente a quinua e o sal;
  • deixe cozinhar por meia hora, verificando o nível de caldo e acrescentando mais se a sopa estiver muito seca (a quinua absorve muito líquido em seu cozimento). Caso você não tenha mais caldo de galinha, complete com água quente, se necessário;
  • sirva bem quente, com um fio de azeite por cima da sopa.

Dica 1: Se você gostar, pode adicionar à sopa uma cenoura cortada bem miudinha.

Dica 2: Se você não tiver caldo de galinha feito em casa, substitua por tabletes. Eu gosto muito do Vitale, porque é menos salgado, mais leve (pelo menos dá a sensação no paladar).

Dica 3: Se você gosta de sopa líquida, pode bater grosseiramente os legumes cozidos no caldo, com um mixer de mão ou no liquidificador, antes de acrescentar a quinua.

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quarta-feira, 7 de julho de 2010

Dia 098: Sopa de Abóbora com Bacon

Uma fatia de bacon pode não ser o alimento mais saudável, mas também não pode matar ninguém... Que o digam os esquimós do norte do Canadá, que comem gordura de foca para sobreviver no inverno.

Com este pensamento, justificamos a escolha da mistura de abóbora com bacon nesta sopa. É mais uma variação para o nosso amado vegetal, aproveitando a deliciosa consistência que ele tem nos meses de inverno no Brasil. Esta receita foi inspirada no livro Bar à Soup (versão inglesa), de Anne-Catherine Bley. Digo sempre inspirada porque quem gosta de cozinha bem me entende: sempre faço minhas adaptações de quantidade e ingredientes.

É o meu próprio caldeirão... com minha própria colher de pau... e gosto muito de brincar de feiticeira, fazendo as misturas químicas com a chama do fogão. Ainda bem que tenho minhas cobaias prediletas: Jorge Aldrovandi, Elisa Christophe, Celeste Alencar e, ultimamente, minha xará Micheline Molossi.

Receita de Sopa de Abóbora com Bacon

Ingredientes (para 4 pessoas):

  • 1 kg de abóbora com a casca;
  • 4 fatias de bacon (1 para cada pessoa);
  • 2 cebolas médias;
  • 1 litro de água;
  • 2 colheres (de sopa) de creme de leite;
  • 1 colher (de chá) de sal;
  • 2 colheres (de sopa) de azeite;
  • pimenta a gosto;
  • noz moscada ralada na hora.

Modo de fazer:

  • Lave bem a casca da abóbora com uma escovinha;
  • Tire as sementes da abóbora, corte-a em pedaços com a casca, para que possa cozinhar;
  • Pique as cebolas;
  • Aqueça o azeite numa panela funda e refogue as cebolas até alourarem;
  • Acrescente a abóbora, junte a água e deixe levantar fervura;
  • Abaixe então a chama, tempere com sal e deixe cozinhar por cerca de 20 minutos, ou até que a abóbora esteja macia;
  • Enquanto isso, corte cada fatia de bacon em 3 pedaços, e frite-os numa frigideira, até ficarem bem crocantes (se precisar, vá retirando a gordura com uma concha). Escorra em papel-toalha;
  • Quando a abóbora estiver cozida, bata a sopa no liquidificador ou com um mixer de mão;
  • Acrescente o creme de leite e a pimenta, salpique um pouco de noz moscada;
  • Sirva imediatamente, bem quente;
  • Em cada prato, rale mais um pouco de noz moscada e coloque por cima alguns pedaços de bacon.

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terça-feira, 6 de julho de 2010

Dia 097: Sopa de Repolho com Feijão Manteiga

Nos dias mais frios, parece que a fome fica mais intensa... imagino que seja uma reação natural do organismo que procura ingerir calorias. Então, sopinhas, só se forem acompanhadas de pão, ou se forem feitas com ingredientes mastigáveis, para dar..."sustância"!

Numa noite fria, juntamos repolho, alho-porró, cebolas, linguiça e feijão! Durante um tempo chamei esta sopa de "vitaminada".

No dia seguinte ela ficou ainda melhor e mereceu um naquinho de queijo (nós sempre temos na geladeira gorgonzola, mas vale um bom parmeggiano, ralado no ralo grosso)!


Receita de Sopa de Repolho com Feijão Manteiga

Ingredientes (para 4 pessoas):
  • 1 aipo cortado em rodelas finas;
  • 1 pedaço de repolho cortado em tirinhas (Mais ou menos 1/4 de repolho);
  • 1 cebola cortada em tirinhas;
  • 1 dente de alho;
  • 1 linguiça cortada em rodelas;
  • 2 punhados de feijão manteiga ou branco;
  • 1 litro de água;
  • 1 colher (de chá) de sal;
  • pimenta moída na hora.

Modo de fazer:

  • Cate e lave o feijão;
  • Aqueça uma panela funda e frite a linguiça em sua própria gordura, para drenar o excesso;
  • Tire com uma concha um pouco da gordura e descarte;
  • Refogue com a linguiça e a gordura que ficou as cebolas e o alho;
  • Quando a cebola tiver alourado, junte o feijão, cubra com água e deixe levantar fervura;
  • Abaixe a chama, tampe a panela e deixe cozinhar por meia hora ou até que o feijão esteja macio;
  • Prove o feijão com um garfo, se estiver macio, acrescente o alho porró e o repolho, tempere com sal e pimenta e deixe cozinhar por mais dez minutos;
  • Sirva em seguida, acompanhado de pão e azeite.

Dica 1: Se você tiver se planejado para fazer esta sopa, deixe o feijão de molho por cerca de 3 horas.

Dica 2: Na hora de servir, regue cada prato com um fio de azeite extra virgem.

Dica 3: Deixe sempre uma chaleira com água quente numa das bocas do fogão, para ajustar a espessura da sopa. Ela não pode ficar aguada, mas também, não se deve deixar secar a água demais. E como o feijão absorve muita água, é melhor ficar de olho.

Dica 4: Nós gostamos muito de alho porró e sempre temos em casa, mas esta sopa pode muito bem ser feita somente com repolho, cebola e feijão.

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segunda-feira, 5 de julho de 2010

Dia 096: Sopa Quente-Fria de Ervilhas Frescas

Todo domingo José Hugo Celidônio publica no jornal O Globo receitas deliciosas e fáceis de fazer. De vez em quando, ele ensina a fazer sopas simples e criativas que experimentamos. Algumas já publicamos neste espaço, sempre dando-lhe os justos créditos!

Esta de ervilhas frescas, servidas em duas temperaturas contrastantes, uma parte quente e uma parte gelada, saiu em pleno verão e é bem refrescante. Claro que adaptei o jeito de fazer, alterando um pouquinho as medidas e ingredientes (suprimi por exemplo o azeite: gordura demais...). É surpreendente a sensação na boca. Ficou muito boa! Dá para repetir.

Receita de Sopa Quente-Fria de Ervilhas Frescas

Ingredientes (4 a 6 pessoas):
  • 1 pacote de ervilhas congeladas (Bonduel) ou 1 kg de ervilhas frescas às quais se tira a casca (guarde para outros uso);
  • 1 cebola pequena picada grosseiramente;
  • 1 fatia de bacon;
  • 1/2 litro de caldo de galinha (de preferência feito em casa, mas na pressa valem os cubinhos);
  • 2 colheres (de chá), rasinhas, de açúcar;
  • 2 colheres (de sopa) de creme de leite;
  • 1 colher (de chá) de sal;
  • pimenta do reino moída na hora.
Modo de fazer:
  • Numa panela funda, refogue a fatia de bacon inteira, para deixar derreter a gordura;
  • Acrescente a cebola e quando alourar, junte as ervilhas mexendo bem por um ou dois minutinhos;
  • Acrescente o caldo de galinha e o açúcar;
  • Deixe levantar fervura, abaixe a chama e deixe cozinhar por cerca de 10 minutos em panela destampada;
  • Retire o bacon, tempere com sal;
  • Bata no liquidificador ou com um mixer de mão;
  • Acrescente o creme de leite, sempre batendo e corrija o sal (ela fica bem cremosa);
  • Leve a sopa à geladeira até a hora de servir (faça-a com pelo menos duas horas de antecedência, para dar tempo de gelar);
  • Na hora de servir, coloque metade da sopa numa panela e esquente bem;
  • Distribua a metade gelada em tigelas ou taças, depois complete por cima com a sopa quente, colocando com cuidado para não misturar;
  • Moa um pouco de pimenta e sirva em seguida.
Dica 1: é muito interessante o choque de temperaturas na boca, mas esta sopa pode ser igualmente saboreada toda fria ou toda quente.

Dica 2: a panela fica destampada para cozinhar ou esquentar, para não amarelar a ervilha (dica de minha avó palestina, Jeannette Lorenzo, há muitíssimos anos).

Dica 3:
fica ótima acompanhada de croutons, passados na manteiga de alho (esprema alho, refogue na manteiga, quando ele estiver dourado jogue dentro da frigideira os croutons e mexa bem).
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domingo, 4 de julho de 2010

Dia 095: Sopa de Café da Manhã

A primeira vez que ouvi falar em sopa no café da manhã foi da boca de meu amigo Dr. Lizandro Resende, advogado, pesquisador e escritor, super-longevo. Aos 95 anos, um dia conversávamos sobre o segredo da boa forma. Ele me dizia que era a alimentação saudável, a começar pelo café da manhã, quando tomava religiosamente sua sopa de legumes.

Depois disso, Jorge Aldrovandi, então meu namorado que eu chamava de príncipe uruguaio, hoje meu marido, comemorando ainda a vitória da seleção de seu país contra a excelente seleção de Gana, me contava que seu avô Alteserse Aldrovandi antes de sair para o trabalho no campo, no frio do Uruguai, tomava uma reforçada sopa de legumes, com pão feito em casa e vinho feito lá mesmo. Comemorou 74 anos de casado com a avó de Jorge, Josefa, e tiveram 11 filhos!

Deve ser por isso que quando sobra sopa no jantar, Jorge a toma no café da manhã do dia seguinte!

Mas esta de hoje foi feita especialmente para o café da manhã. Até eu tomei um pouco... vai que dá certo e a gente comemora 75 anos de casados (em novembro passado comemoramos o primeiro aniversário de nossas bodas, o oitavo de vida em comum).

Receita de Sopa de Café da Manhã

Ingredientes (para 2 pessoas):
  • 1/2 litro de caldo de galinha (de preferência feito em casa, pode ser congelado);
  • 6 ninhos de cabelo de anjo, bem picadinhos com a mão;
  • 2 ovos;
  • queijo parmesão ralado grosso;
  • 1 colher (de chá) de sal;
  • 1/2 limão (opcional).
Modo de fazer:
  • Descongelar o caldo de galinha numa panela funda, com fogo baixo (melhor colocar um pouquinho de água no fundo da panela, para não grudar);
  • Quando o caldo estiver fervendo, quebre os ninhos de cabelo de anjo com a mão, sobre o caldo e deixe cozinhar por dez minutos;
  • Adicione o sal;
  • Quebre um ovo em cada tijela ou prato de sopa, rale o queijo parmesão no ralo grosso, também em cada prato e coloque a sopa bem quente por cima;
  • Esprema um pouco de limão, se gostar;
  • Sirva imediatemente.
Dica 1: Se quiser acrescentar um legume, coloque-o bem picado um pouco antes de acrescentar a massinha. Pode utilizar cenoura cortada em cubinhos, folhas de espinafre rasgadas, ou o que preferir.
Dica 2: Se tiver hortelã fresca, pode acrescentar algumas folhinhas picadas quando servir a sopa.
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sábado, 3 de julho de 2010

Dia 094: Sopa Trio de Cogumelos

Sempre que como cogumelos fico imaginando quanta gente deve ter se envenenado provando estas pequenas explosões que nascem nos caules, na terra, na umidade, até descobrir o que é ou não venenoso. Quando um cogumelo fica meio escuro, fico imaginando seu poder contra mim... como se fosse coisa de bruxa, escondendo seu veneno.

Mas isso não impede - talvez até justifique - meu fascínio por estes seres que na verdade são como frutos, protegendo os esporos de fungos.

Houve época, há não muito tempo, em que cogumelos no Brasil só existiam em conserva... Felizmente agora há de várias espécies e inclusive secos - os funghi secchi.

Então, aqui em casa são figurinha fácil. E a sopa de hoje mistura um trio de cogumelos deliciosos: champignons de Paris, shiitaki e funghi secchi. Mas podia ser shimegi com outros...é o que estiver disponível no mercado ou na despensa.


Receita de Sopa Trio de Cogumelos

Ingredientes (para 6 pessoas):

  • 30 g de funghi secchi
  • 1 bandeja de shiitake
  • 1 bandeja (meio kg) de cogumelos de Paris
  • 1 cebola média picada
  • 2 dentes de alho picados
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • 1 colher de sopa de creme de leite fresco
  • 1 colher de sopa de maisena ou farinha de trigo
  • 2 colheres de chá de sal
  • pimenta do reino moída na hora
  • 150 ml (uma xícara) de vinho branco seco (opcional)
  • 1 litro e meio de água
Modo de fazer:
  • Lave os cogumelos, o shiitake e o funghi em água corrente, abundante;
  • Pique o funghi e deixe-o de molho em água morna por pelo menos 15 minutos;
  • Corte os cogumelos e shiitake em lâminas;
  • Pique a cebola e o alho bem finhinho;
  • Numa panela funda, aqueça a manteiga, refogue a cebola e o alho sem deixar queimar, acrescente os cogumelos e shiitake e refogue mais um pouco;
  • Cubra com a água, deixe levantar fervura e abaixe a chama para cozinhar;
  • Acrescente o funghi com a água em que ficou de molho;
  • Tire uma concha do caldo, coloque numa vasilha e aí misture bem a maisena e o creme de leite;
  • Volte esta mistura à panela, mexendo bem, para engrossar um pouco o caldo;
  • Tempere com sal e pimenta moída na hora;
  • Se for de seu gosto, acrescente o vinho, deixe aquecer bem e sirva acompanhado do pão de sua preferência.

Dica: Esta sopa combinou muito bem com o vinho tinto que escolhemos, um corte de Carmenère e Cabernet Sauvignon, da vinícola Concha y Toro.

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sexta-feira, 2 de julho de 2010

Dia 093: Sopa de Cerveja Alemã

Meu irmão Bernard Christophe, que vive na Alemanha há muitos anos, de vez em quando me abastece com livros preciosos, de acordo com o tema que me envolve no momento. Já me enviou coisas lindas sobre bijuteria, sobre envelhecimento populacional, e recentemente garimpa para mim pequenas jóias de gastronomia.

Foi assim que recebemos comsurpresa e alegria o tijolaço do Le Grand Larousse Gastronomique (French Edition), que consulto sempre que tenho dúvida em relação a um ingrediente, a um utensílio, a uma mistura... é uma bíblia mesmo indispensável para quem realmente quer conhecer a arte do preparo de alimentos.
Dele escolhemos uma receita simplíssima e muito inusitada: uma sopa de cerveja feita com a bebida do tipo Dortmund, que é uma lager, isto é, de fermentação baixa, menos amarga que as pilsens.

Receita de Sopa de Cerveja Alemã

Ingredientes (para 4 pessoas):

  • 1/2 garrafinha de cerveja tipo Dortmund (165 ml) - o resto você gela e toma!
  • 1 litro de caldo de frango (melhor ser feito em casa);
  • miolo de 3 pãezinhos dormidos (cerca de 120 g, sem casca);
  • 1 colher (de chá) de sal;
  • pimenta moída na hora;
  • duas colheres (de sopa) de creme de leite fresco;
  • noz moscada ralada na hora a gosto.

Modo de fazer:

  • Colocar numa panela o caldo, a cerveja, o miolo de pão, sal e pimenta;
  • Deixar levantar fervura, abaixar a chama e deixar cozinhar por meia hora, com a panela tampada;
  • Bater a sopa no liquidificador, ou utilizando um mixer de mão;
  • Acrescentar o creme de leite fresco, mexer bem e salpicar com noz moscada;
  • Provar os temperos e corrigir o sal e a pimenta;
  • Servir bem quente.

Dica 1: como a sopa já leva pão, é dispensável servi-la com mais pão. Nós tínhamos um ótimo, australiano. Mas realmente é dispensável.

Dica 2: pensamos em tomar um vinho tinto, um Malbec argentino, porque tanto cerveja como vinho são originados num processo de fermentação. Mas não casou bem. Da próxima vez, será com água.

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quinta-feira, 1 de julho de 2010

Dia 092: Sopa de Água de Fogo ou Mulligatawny

Há cerca de um ano, Jorge me deu de presente um livro que descobriu - nem sei como - na Amazon: The Soup Peddler's Slow and Difficult Soups: Recipes and Reveries (algo como "O vendedor ambulante de sopa - sopas vagarosas e difíceis, receitas e devaneios", em tradução livre) , escrito por David Ansel.

Quando o livro chegou, fiquei encantada com tudo, com o formato quadradinho do livro, com os desenhos um tanto ingênuos da capa e do conteúdo e, principalmente com a história desse jovem de 29 anos, perdido na profissão oficial que escolheu, vivendo no interior dos Estados Unidos, em Austin, Texas. Cansado de insistir numa carreira que não o encantava, abandonou tudo e resolveu ir à luta, sem apoio de ninguém, diante da rejeição da família à sua atitude. A única coisa que ele sabia fazer era cozinhar... um pouco. E gostava de sopas. E tinha uma velha bicicleta. E para economizar foi morar num moinho abandonado.

David começou a fazer sopas para amigos e vizinhos, entregando-as em sua bicicleta azul...

Esse é só o início da história. Hoje ele tem um restaurante, um site, um livro... e muitos clientes e fãs. Até nós aqui ao sul do Equador.

É dele a receita da sopa de hoje: Mulligatawny. Esta é a pronúncia ocidentalizada da palavra em idioma tâmil que significa água apimentada ou água de fogo, na minha interpretação. Cada um tem seu jeito de prepará-la. O que não pode faltar: curry.

Também recomendo uma boa música, para ouvir em boa companhia. Nós escolhemos os tons orientais de Capricho Árabe, de Francisco Tarrega, na interpretação de Andrés Segovia.

Aqui em casa fizeram o maior sucesso música, cores e sabores, e ninguém teve de apagar incêndio!


Receita de Sopa de Água de Fogo

Ingredientes (para 6 pessoas):
  • 2 cebolas, picadas
  • 2 cenouras, descascadas e cortadas em cubos
  • 1 batata, descascada e cortada em cubos
  • 1 xícara de lentilhas verdes
  • 1 garrafinha de leite de coco
  • 1/4 de uma couve-flor média
  • 1 maçã gala cortada em cubos
  • 2 talos de aipo, picados
  • 2 tomates
  • 2 colheres (de sopa) de manteiga
  • 4 dentes de alho
  • 1 litro de água (ou mais)
  • 1 colher (de chá) de sal
  • 2 colheres (de sopa) de azeite.
Modo de fazer:
  • Aqueça a manteiga numa panela funda e refogue as cebolas e as cenouras, até alourar as cebolas;
  • Acrescente o curry e mexa bem, por 1 a 2 minutos;
  • Acrescente as batatas, as lentilhas (catadas e lavadas) e o leite de coco;
  • Cubra com água e deixe levantar fervura;
  • Abaixe a chama e deixe cozinhar por cerca de 20 minutos;
  • Vá acrescentando água quente à medida que os legumes forem absorvendo líquido;
  • Acrescente os raminhos de couve-flor, o aipo e a maçã;
  • Mantenha os legumes sempre cobertos de água (mas não ultrapasse muito seu limite, para a sopa não ficar aguada);
  • Enquanto a sopa cozinha, bata no liquidificador ou num processador o azeite, os tomates e o alho;
  • Misture este purê à sopa, tempere com sal, cozinhe por mais cinco minutos e sirva em seguida.
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domingo, 13 de junho de 2010

Dia 091: Sopa de Brócolis e Espinafre, com castanhas-do-pará

Além de meus dois irmãos queridos, sempre quis ter na vida uma irmã. À medida que fui me tornando adulta, descobri que irmandade é muito mais do que sangue, é sobretudo alma. Foi assim que a vida me presenteou - ou nós soubemos construir este presente - com uma irmã desde minha adolescência: Celeste Alencar Vasconcellos, de quem já falei bastante neste blog, já que, além de tudo, ela vem a ser uma de nossas cobaias prediletas das sopas.
Foi com Celeste que testamos esta receita tão simples e tão estimulante: o sabor do limão misturado à castanha-do-pará é inesperado!

Nessa noite, como estava frio, saboreamos a sopa de brócolis e espinafre, em pedaços, bem quentinha, ao som de Miles Davis e John Coltrane (So What), em nosso iPod, tendo, nas taças, o belo tinto chileno, da Concha y Toro, chamado Travessia, um corte de 85% de uvas Carmenère e 15% de Cabernet Sauvignon.


Receita de Sopa de Brócolis e Espinafre, com castanhas-do-pará
Ingredientes (para 4 pessoas):
  • 1 cebola2 dentes de alho;
  • 1 brócolis americano;
  • 1 maço de espinafre;
  • 2 batatas;
  • 2 colheres (de sopa) de azeite;
  • 1 colher (de sopa) de manteiga;
  • 1 litro de água;
  • 100 g de gorgonzola;
  • suco de ½ limão;
  • ½ colher (de café) de noz-moscada ralada;
  • 10 castanhas-do-pará picadas;
  • 1 colher (de chá) de sal e pimenta-do-reino moída na hora, à vontade.

Modo de fazer:

  • Descasque e pique a cebola, as batatas (em pedaços como se fosse fazer uma salada de maionese) e o alho;
  • Lave o brócolis, separe os buquês e pique os talos mais tenros;
  • Desfolhe e lave o espinafre;
  • Coloque o azeite e a manteiga para esquentar numa panela funda;
  • Acrescente a cebola e o alho e refogue por 3 minutos;
  • Acrescente o brócolis, o espinafre e a batata e refogue por alguns minutos;
  • Cubra com água e deixe levantar fervura;
  • Abaixe então a chama e cozinhe por cerca de 20 minutos, até que as batatas estejam macias;
  • Tempere com sal e pimenta;
  • Ajuste a espessura da sopa: se estiver muito densa, acrescente água fervente;
  • Na sopeira que for à mesa, pique o gorgonzola em cubinhos, acrescente o suco de limão e a noz-moscada.Salpique a sopa com a castanha-do-pará;
  • Sirva bem quente com o pão de sua preferência, ou com torradinhas.

Dica 1: se você não tiver castanhas-do-pará à mão, pode substituir por pinhões torrados ou mesmo por amêndoas torradas e descascadas. Mas a castanha-do-pará é imbatível no sabor e na textura! Fora do Brasil, nossa castanha-do-pará é também conhecida como castanha do Brasil.

Dica 2: cozinhe esta sopa com panela destampada, para não amarelar os vegetais.

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sábado, 12 de junho de 2010

Dia 090: Sopa de Grãos

No Egito, onde nasci, as crianças tomam mamadeira de favas! Isso me contava minha mãe, para lembrar como conseguiu vencer a extrema magreza de meu irmão, Jean-Claude, que nasceu prematuro, por causa de um bombardeio, em 1956, em Heliópolis!

Atravessando o oceano, mantivemos o gosto e a tradição dos grãos: favas (buscadas em todas as feiras livres do Rio de Janeiro), grãos-de-bico, lentilhas, feijões de todas as cores... Feitos para comer como sopa, como salada, como purê... ou misturados à pasta de gergelim para virar um tira-gosto robusto!

Então, vira e mexe eu invento uma sopa de grãos, para desespero do Jorge, que não gosta muito de "porotos" (=feijões na língua de Cervantes). Mas essa ele bem que gostou! E repetiu!

Receita de Sopa de Grãos

Ingredientes (para 6 pessoas):

  • 1 xícara de grão de bico;
  • 1 xícara de lentilhas;
  • 1/2 xícara de feijão manteiga ou mulatinho;
  • 2 cebolas, picadas;
  • 4 tomates sem casca nem sementes, picados;
  • 2 talos de aipo, cortados em pedaços pequenos;
  • 1 colher (de sopa) de azeite;
  • 1 colher (de chá) de curcuma;
  • 1/2 colher (de chá) de gengibre em pó;
  • 1/2 colher (de chá) de canela em pó;
  • 1 colher (de chá) de sal;
  • pimenta do reino moída na hora, à vontade;
  • 1 litro e meio de água.
Modo de fazer:

  • Cate, lave e coloque os grãos de molho, por pelo menos 3 horas;
  • Numa panela funda, aqueça o azeite e refogue a cebola picada e o aipo, até alourar a cebola;
  • Adicione a curcuma, o gengibre, a canela e a pimenta e mexa por alguns minutos;
  • Adicione os tomates picados, o grão-de-bico e o feijão;
  • Cubra com água e deixe levantar fervura;
  • Abaixe a chama e deixe cozinhar por cerca de 40 minutos, até que o grão-de-bico comece a ficar macio;
  • Acrescente a lentilha e continue cozinhando a sopa por mais meia hora;
  • Quando todos os grãos estiverem macios, acrescente o sal, prove o tempero e corrija se necessário;
  • Apague a chama, coloque a sopa numa sopeira, e esprema o caldo de um limão sobre ela;
  • Sirva imediatamente com o pão de sua preferência.

Dica 1: O ideal é deixar os grãos de molho desde a véspera. Na hora de usar, não reaproveite a água: escorra tudo.

Dica 2: Este planejamento nem sempre é possível. Portanto, se decidir fazer esta sopa em cima da hora, um truque é cozinhar o grão de bico sozinho, numa panela de pressão, e depois acrescentá-lo à sopa e aos demais grãos, aí sim, com sua própria água de cozimento.

Dica 3: O fascinante é o encontro e a mistura de culturas. Então, nós saboreamos esta sopa com um pão australiano, bem fofinho (em vez de um pão pita, como seria natural). Nessa noite, como a sopa já é muito forte, preferimos acompanhá-la apenas de água de nossa mina particular, aqui no prédio. Mas achamos que seria ótimo acompanhá-la com um vinho tinto encorpado.

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domingo, 6 de junho de 2010

Dia 089: Sopa de milho a la Giorgio

Em geral, quem escreve o relato da aventura de escolher uma receita, prepará-la, fazê-la chegar à mesa bem saborosa e bonita sou eu, Micheline. Ao meu lado na experiência sempre está Jorge Aldrovandi, preparando junto, comentando.

Desta vez, ele assumiu o comando das panelas, eu atuei como coadjuvante, lavando e preparando os ingredientes. Então, o melhor é ler o relato dele, em espanhol, por suposto. Quem não entender, deixa um comentário que envio a tradução.

No sincretismo de nossas culturas, ouvimos Charles Aznavour, Et Pourtant.

"Esta sopa, como tantas cosas... fue un camino. Comenzó a las 6-7 de la mañana de un domingo en la revista de O Globo y me trajo hasta aquí. Mas, pensando mejor, comenzó, en verdad, mucho más atrás.

Algo más o menos así: cuando era niño me gustaba esconderme entre las altísimas plantas de maiz... en la quinta de la casa de mis padres. Sí, aquel era un mundo fantástico para mi, aquellas espigas enormes me fascinaban... habían olores increíbles... mundos por descubrir.

Aprendimos con mi hermano Daniel a asar aquellas espigas amarillas o blancas. Ellas nos facilitaron los primeros ensayos como cocineros en un fuego improvisado sobre la tierra.

Así, hacer esta sopa me trajo aquellos recuerdos de mi camino.

La llamé sopa de maiz a la Giorgio. La inspiración de aquel domingo en la revista fue José Hugo Celidônio, pero con mi cómplice de la vida, Micheline Christophe la ajustamos a nuestro gusto y circunstancias.

Aquí va. Buen provecho!"



Receita de Sopa de Milho à la Giorgio

Ingredientes (para 4 pessoas):
  • 1 maço de couve;
  • 4 espigas de milho verde (ou 1 pacote de milho verde congelado, como Bonduelle);
  • 1/2 xícara de leite;
  • 1/2 cebola média ralada;
  • 1 colher (de sopa) de azeite;
  • 1 limão;
  • 1 colher (de chá) de sal;
  • 1 litro de água.

Modo de fazer:

  • Corte os grãos das espigas de milho;
  • Bata no liquidificador com um pouco d'água;
  • Passe por uma peneira grossa, para retirar a celulose;
  • Corte a couve bem fininha, como se fosse à mineira (veja a ilustração);
  • Aqueça o azeite numa panela funda e refogue a cebola ralada até alourar;
  • Junte o milho, refogue mais alguns minutos para tomar gosto;
  • Acrescente o leite e a água;
  • Deixe levantar fervura, abaixe a chama e deixe cozinhar por cerca de 15 a 20 minutos, com panela semitampada;
  • Tempere com sal;
  • Se a sopa estiver muito grossa, afine com um pouco de água quente;
  • Na hora de servir, acrescente a couve e deixe cozinhar com a panela destampada por cerca de dois a três minutos;
  • Corte o limão em gomos e ofereça às pessoas para que espremam sobre a sopa.

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sábado, 5 de junho de 2010

Dia 088: Sopa de Abóbora com Gengibre

Quem acompanha este blog pode perceber o quanto gostamos de abóbora! Já são quatro as receitas até agora.
Nesta época do ano a abóbora está muito especial, no Rio de Janeiro, bem carnuda, com uma cor intensa e muito doce.
Por isso, hoje ofereço mais esta receita que mistura a delicadeza da abóbora, com seu sabor meio adocicado, à intensidade do gengibre, com seu sabor picante e agressivo. Cuidado com ele: um pedacinho a mais e não dá para comer!
E como o Rio de Janeiro está sediando o Rio Folle Journées, uma série de concertos que começa às 11 da manhã e tem sessões sucessivas até à noite, a semana inteira, inspiramo-nos com a homenagem que o evento faz ao bicentenário de nascimento de Chopin e ouvimos o belíssimo Noturno nº 2, tocado pelo genial Nelson Freire.



Receita de Sopa de Abóbora com Gengibre

Ingredientes (para 4 pessoas):

  • 1 kg de abóbora moranga
  • 20 g de gengibre fresco
  • 1/2 litro de água (ou um pouco mais)
  • 1 dente de alho
  • 1 cebola média
  • 1 colher (de sopa) de azeite
  • sal e pimenta a gosto
  • 2 colheres de sopa de creme de leite

Modo de fazer:

  • Descasque a abóbora e corte em pedaços;
  • Descasque o gengibre e pique-o (na verdade bastam cerca de 2 cm de um bulbo);
  • Descasque a cebola e o alho e pique-os;
  • Aqueça o azeite na panela, aloure a cebola, junte o alho e frite alguns minutos, acrescente a abóbora e refogue um pouco, cubra com a água;
  • Deixe ferver e em seguida abaixe a chama;
  • Cozinhe por cerca de 15 minutos, até que a abóbora esteja macia;
  • Bata no liquidificador, ou com um mixer de mão;
  • Volte com a sopa ao fogo, tempere com sal e pimenta moída na hora;
  • Apague a chama, acrescente o creme de leite, misture bem e sirva imediatamente.

Dica 1: Dependendo da abóbora, a sopa ficará mais ou menos cremosa. Você pode ajustar a espessura da sopa acrescentando água quente.

Dica 2: Sirva a sopa companhada de pão fresco ou de croutons simples ou ao alho.

Dica 3: Essa sopa fica linda servida na própria casca da abóbora moranga.

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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Dia 087: Gazpacho do Raul

Raul Hazan é um tremendo gourmet e culinarista, para usar a expressão da moda.

Raul sabe muito de sabores e aromas, pesquisa, experimenta. Adora uma boa cachaça, faz parte da Confraria do Copo Furado, produziu peças de teatro memoráveis, e é um exímio pé de valsa do alto de seus 77 anos! Eliane que o dia, sua esposa e cúmplice há duas décadas.

De tanto seus amigos perturbarem, agora faz um almoço mensal em sua casa, à moda dos restaurantes informais de Cuba. Preço fixo, comida farta e bem feita, bebida, amigos... Tudo de bom.

Numa das últimas reuniões, ele preparou um refrescante gazpacho, acompanhado de um pão australiano que ele mesmo fez.

Pedi-lhe a receita e a repasso recomendando-a. É bem simples de fazer, nem precisa cozinhar, e é possível recorrer a tomates em lata, por exemplo. O ideal é prepará-la de véspera, para que tome gosto.


Receita de Gazpacho do Raul
Ingredientes (para 6 a 8 pessoas):
  • 1 cebola roxa picada;
  • 2 pimentões, sendo 1 vermelho e 1 verde, picados;
  • 2 pepinos em conserva bem picados;
  • 8 xícaras de tomates pelados em lata, picados e com seu suco;
  • ½ cabeça de alho, com os dentes descascados e picados;
  • suco de 1 limão fresco
  • 150 g de massa de tomate;
  • 3 colheres de sopa de vinagre de vinho tinto;
  • ¾ xícara de azeite extra-virgem;
  • 3-5 copos de água, conforme necessário (cerca de 1/2 litro a 750 ml);
  • 1 colher de sopa de sal;
  • ½ colher de chá de pimenta caiena;
  • 3 raminhos de tomilho fresco.
Modo de fazer:
  • Em uma tigela grande, misture a cebola roxa, o pimentão, pepino, tomate pelados com o suco, alho (tudo muito bem picado) e o sumo de limão;
  • Misture bem;
  • Adicione a massa de tomate, o vinagre e o azeite e misture bem, certificando-se de que a massa de tomate se dissolva;
  • Adicione água para ajustar a textura;
  • Em seguida, tempere com sal e pimenta caiena, a gosto.
  • Adicione os raminhos de tomilho fresco, certificando-se de que eles fiquem mergulhados bem dentro da sopa;
  • Cubra a tigela com um filme de plástico ou alumínio (ou use uma com tampa) e leve à geladeira durante a noite (por pelo menos 8 horas, mais seria melhor);
  • Na hora de servir, misture bem. Sirva gelado acompanhado de pão fresco ou croutons.

Dica: Eu gosto de acompanhar o Gazpacho com um vinho branco geladinho e bem frutado, como os alsacianos.

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sábado, 29 de maio de 2010

Dia 086: Sopa Fria de Erva-Doce

Desde que começamos a aventura deste blog, quis oferecer à minha querida amiga Maria Vilma Salles uma sopa feita com erva doce. Porque ela foi a pessoa que me apresentou a um delicioso molho de cebola e erva doce, com limão, que ela usa para acompanhar peixes grelhados.

Mas foram necessárias 85 receitas e uma dissertação de mestrado no meio para enfim receber Maria Vilma e David, com Solange e Edson, meus amigos do IBGE.

Esta receita é mediterrânea, pode ser servida quente ou fria. Eu a servi fria. Até Jorge gostou! Ele que tanto estranha o choque da sopa gelada na boca, criado como foi no campo uruguaio, onde sopa era sinônimo de quentinho.


Receita de Sopa Fria de Erva Doce

Ingredientes (para 6 pessoas):
  • 2 bulbos de erva doce (médios) ou 1 grande;
  • 2 cenouras médias picadas;
  • 1 cebola picadinha;
  • aproximadamente 1 litro de água;
  • 100 ml de creme de leite fresco (pode usar 1/2 caixinha se preferir);
  • 100 ml de suco de laranja espremido na hora (cerca de 1/2 copo);
  • sal e pimenta moída na hora a gosto;
  • 2 colheres (de sopa) de azeite de oliva.
  • Opcional: 1 limão siciliano (aquele amarelo bicudo);

Modo de fazer:

  • Lave bem a erva doce, desfolhando os talos pois guardam muita terra; pique-os grosseiramente;
  • Pique a cebola e a cenoura;
  • Numa panela funda, aqueça o azeite, refogue a cebola até alourar, junte a cenoura e a erva doce e refogue por mais alguns minutos;
  • Acrescente a água, deixe levantar fervura;
  • Abaixe a chama, tampe a panela e cozinhe por cerca de 15 a 20 minutos, até que a erva doce esteja macia;
  • Bata a sopa num liquidificador, para ficar bem homogênea, acrescente o creme de leite, tempere com sal e pimenta;
  • Acrescente o suco de laranja;
  • Se a sopa estiver muito grossa, afine com um pouco de água.
  • Leve a geladeira se for servir fria.

Dica 1: como a cor dela é linda e sendo servida fria, prefira uma tijela de vidro ou cristal, fica lindo! Você pode servir em taças ou tijelas de vidro também;

Dica 2: ao cortar a erva-doce, separe um pouco das folhas para decorar;

Dica 3: se preferir, sirva a sopa decorada com casca frita do limão siciliano. Para isso, corte a casca do limão em tirinhas bem finas, esprema o suco do limão numna tijela, e deixe as cascas de molho por uma hora, enquanto prepara a sopa. Depois, escorra as cascas, seque em toalha de papel e frite em 1 cm de óleo quente, numa panela pequena, por alguns segundos, para que fiquem douradas. Escume e reserve. Decore com elas sua sopeira.

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Dia 085: Sopa de Cebola à francesa

Cebola é uma das delícias da natureza, a meu ver. E todos aqui em casa gostam muito! Ainda bem.
Sopa de cebola, com esse frio se instalando neste fim de maio, é um carinho nos sentidos: o aroma, a textura, a fumaça saindo, o gosto do queijo derretido.
Da Europa vêm várias receitas, e já testei várias, com aprovação total: tem à maneira alemã, que a Leila faz no Empório do Dengo, tem as várias interpretações da receita francesa... E tem essa do chef francês Claude Troigros (residente há muitos anos no Rio de Janeiro, para sorte nossa), com sabor muito especial, com suas torradas besuntadas de mostarda.
Descobri esta receita no jornal. Depois, pesquisando na Internet, vi que ela foi apresentada no Programa Menu Confiança do GNT com variações, recebendo vinho e cachaça. Mas a versão que saboreamos em casa é excelente e mais simples.
Vale a pena experimentar, aproveitando a temperatura que tem caído, pelo menos no Sul e no Sudeste de nosso país. É uma delícia acompanhada de um bom vinho tinto.

Receita de Sopa de Cebola à francesa (de Claude Troisgros)

Ingredientes (para 4 pessoas):

  • 200 gramas de cebola (ou 2 unidades grandes), descascarada e cortada em meias rodelas;
  • 1 colher de sopa de manteiga;
  • 1 dente de alho picado;
  • 100 gramas de paio cortado em cubos;
  • 1 colher de sobremesa de farinha de trigo;
  • 1 litro de caldo de galinha ralo (não muito concentrado);
  • 1 bouquet (amarrado com salsa, cebolinha, tomilho e louro);
  • 16 torradas feitas com fatias de meio centímetro de espessura de pão francês (pode ser pão dormido);
  • 1 colher de sopa de mostarda de Dijon ou similar;
  • 100 gramas de queijo emmenthal ou gruyère ralado (ou os similares nacionais, claro!);
  • sal e pimenta do reino moída na hora à vontade.

Modo de fazer:

  • Numa panela funda, refoque a cebola na manteiga.
  • Quando ela já estiver bem dourada (caramelizada, como diz o Claude), junte o alho.
  • Salpique a farinha e mexa bem com colher de pau.
  • Junte os cubos de paio e refogue por mais alguns minutos.
  • Regue então com o caldo de galhinha, junte o bouquet garni e deixe cozinhar por cerca de dez minutos, sem ferver.
  • Prove, tempere com sal e pimenta.
  • Retire o bouquet garni e coloque a sopa em quatro tijelas individuais refratárias (para poder ir ao forno e gratinar)
    Passe a mostarda nas torradas e distribuia sobre as tijelas.
  • Cubra com o queijo ralado e leve ao forno bem quente, até dourar.

Dica 1: O forno ideal é o que tem a posição para gratinar, com o calor vindo por cima.

Dica 2: Se não tiver à mão mostarda de Dijon, use outra mostarda de qualidade e forte.
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terça-feira, 25 de maio de 2010

Dia 084: Sopa Budapeste

Minha filha Manoela, a viajante da família, me ligou pelo Skype para dizer que tinha pensado em mim num lindo restaurante da belíssima cidade de Budapeste, saboreando um creme de brócolis com mix de cogumelos frescos e ovo poché. Mandou-me a foto tirada por celular. Mas disse que nem ia tentar conseguir a receita porque tinha certeza de que a minha sairia melhor. Meu cartaz anda alto na família!
Assim que ela chegou, nos reunimos para provar estes sabores tão inesperados.

O resultado agradou em cheio. Devidamente saboreada com um tinto encorpado, como o uruguaio Tannat Bouzas ao som da Hungarian Dance nº 5 de Brahms, no precioso violino de Roby Lakatos. A repetir.


Receita de Sopa Budapeste de Brócolis com Cogumelos

Ingredientes (para seis pessoas):

Para o creme de brócolis:

  • 2 brocolis americanos (as flores e um pouco do caule mais macio);
  • 1 cebola média
  • 1 colher de sopa de creme de leite fresco;
  • 1 colher de sopa de manteiga;
  • 1litro e meio de água;
  • sal, pimenta do reino e noz moscada ralada na hora.
Para o mix de cogumelos:
  • 1 bandeja de champignon de Paris (cerca de 400 g);
  • 1 bandeja de shimeji;
  • 1 bandeja de shiitake;
  • 20 gramas de funghi sechi (opcional);
  • 1 colher (de sopa) de manteiga;
  • meio limão.
Para os ovos pochés:
  • calcule 1 ovo por pessoa.

Modo de fazer:

  • Lave os brócolis, separando os buquês e cortando a parte mais tenra do talo;
  • Corte grosseiramente a cebola em pedaços;
  • Numa panela funda, derreta a manteiga, refogue a cebola até alourar, acrescente o brócolis e refogue mais alguns minutos;
  • Cubra com água e deixe levantar fervura;
  • Abaixe a chama para cozinhar por quinze minutos em panela destampada (para não amarelar o brócolis);
  • Enquanto a sopa cozinha, lave todos os cogumelos em água corrente;
  • Desfaça o shiimeji, pique em tiras o shiitaque, corte em lâminas finas o champignon de Paris;
  • Pique e lave bem o funghi seco; deixe-o de molho em água morna por meia hora;
  • Numa frigideira grande ou panela, coloque a manteiga e refogue todos os cogumelos juntos (não esqueça de escorrer o funghi);
  • Deixe cozinhar na própria água que se vai juntando por cerca de dez minutos;
  • Apague a chama e acrescente o suco do limão;
  • Quando a sopa estiver cozida, apague a chama, e bata no liquidificador ou com um mixer de mão até que fique um creme bem uniforme;
  • Volte a aquecer o creme, tempere com sal e pimenta moída na hora, misture o creme de leite fresco e acrescente noz moscada ralada na hora à vontade.
  • Ferva água numa panela para preparar os ovos pochés;
  • Quando a água estiver fervendo, acrescente sal e quebre um ovo de cada vez delicadamente na água; deixe cozinhar por 2 minutos;
  • Retire cuidadosamente utilizando uma escumadeira e coloque em uma travessa ou tigela;
  • À mesa, sirva o creme de brócolis nos pratos individuais, acrescente em cada um uma boa porção de cogumelos e um ovo poché;
  • Acompanhe com um pão rústico (nós servimos com pão italiano da Farinha Pura) e um vinho tinto (o nosso foi um Tanat da Bodega Bouzas que trouxemos do Uruguai).

Dica1: ferva a água para os ovos enquanto você refoga os cogumelos, para que tude fique pronto junto;

Dica2: você pode quebrar cada ovo numa concha e delicadamente levar a concha à água, para não correr o risco de quebrar a gema.

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segunda-feira, 24 de maio de 2010

Dia 083: Sopa Gwenda (ou sopa rústica de legumes)

Eu adoro romances históricos. Os personagens nem precisam ter existido, mas a ambientação, a pesquisa de época me fazem viajar no tempo. Eu fico íntima dos personagens e quando a história acaba... fico triste como se tivesse perdido amigos...

Isso aconteceu com os dois enormes volumes de Os Pilares da Terra, do escritor inglês Ken Follet (lembram de O Buraco da Agulha?). Fiquei íntima de Tom, Construtor, de Jack e Aliena...

Minha vantagem é que não li os livros quando foram lançados na década de 80, mas só agora em 2009, para refrescar a cabeça dos textos densos do meu mestrado... Com isso deu tempo do autor lançar o novo romance, continuação da obra inicial, passada muito tempo depois, Mundo sem Fim. Aí conheci a impressionante Gwenda. Com ela aprendi esta sopa nutritiva e aquecedora, que batizei com o nome dela. É uma sopa da horta, com o que se plantava na Inglaterra de fins da idade média: nabo, couve, repolho, cenouras e um pedaço de chouriço, carne de porco. Pão de preferência feito em casa...

Receita de Sopa Gwenda (sopa rústica de legumes)

Ingredientes (para 4 pessoas):

  • 1 litro de água
  • 1 pedaço de repolho roxo cortado em tiras
  • 1 cenoura grande cortada em rodelas
  • 1 cebola grande picada grosseiramente
  • 1/2 alho porró cortado em rodelas
  • 1 nabo cortado em cubos
  • 1/2 linguiça ou paio
  • sal e pimenta a gosto

Modo de fazer:

  • lave e corte todos os legumes como indicado;
  • corte a linguiça ou paio em rodelas e coloque em panela quente para refogar e soltar um pouco da gordura;
  • nesta gordura jogue todos os outros legumes e refogue por uns minutos;
  • acrescente a água, deixe ferver, abaixe a chama, e deixe cozinhar por cerca de meia hora;
  • tempere com sal e pimenta moída na hora a gosto;
  • sirva bem quente, acompanhada do pão de sua preferência.

Dica: fica muito bom na hora de servir, mesa colocar um pedaço de queijo branco (pode ser de cabra, de ovelha ou o nosso Minas). Ele derrete um pouco no prato!

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domingo, 23 de maio de 2010

Dia 082: Kneidelech (ou sopa de Pesach)

Uma das sopas que mais adoro chama-se kneidelech e é uma receita judaica de Pesach. Mas minha querida amiga Letícia Saad a prepara sempre que quer fazer um carinho especial em suas amigas. Dá um certo trabalho preparar as bolhinhas de matsot, o caldo de galinha feito com ingredientes frescos... Mas o resultado vale a pena: é um conforto não só para o paladar...



Receita de Kneidelech

Ingredientes (para 12 pessoas):
  • 9 matsot (matsá = bolacha judaica que se come por ocasião da Páscoa; vende‐se em caixa com várias bolachas; matsot plural de matsá)
  • Farinha de matsá (vende‐se em caixa)
  • 5 ovos
  • 2 cebolas grandes
  • óleo, sal e pimenta do reino branca
  • cenoura
Modo de Fazer :
  • Pique as cebolas em pedaços bem pequenos e frite‐as em fogo baixo numa frigideira com bastante óleo.
  • Mexa de vez em quando até que fiquem bem douradas, mas sem queimar.
  • Deixe esfriar.
  • Enquanto as cebolas estão fritando, quebre as matsot em pedaços e deixe-as de molho com água, numa tijela, para amolecer.
  • Com as mãos, vai retirando e espremendo as matsot e colocando numa frigideira em fogo baixo para secar, mexendo sempre com uma colher de pau.
  • Retire da frigideira e coloque numa tigela grande.
  • Faça isso tantas vezes quantas forem necessárias até secar todas as matsot.
  • Adicione às matsot: 5 ovos inteiros batidos, a cebola com o óleo em que foi frita, sal e pimenta a gosto.
  • Amasse com as mãos. Vá acrescentando farinha de matsá até que a massa se desprenda da tigela.
  • NÃO DEIXE ESSA MASSA FICAR MUITO DURA porque depois de um tempo ela endurece mais.
  • Deixe descansar por pelo menos 30 minutos.
  • Com as mãos umedecidas vai fazendo as bolinhas e colocando num tabuleiro para “descansar”até que a água ferva.
  • Enquanto você faz as bolinhas, coloque numa panela bem funda bastante água e deixe ferver, tempere com sal e pimenta.
  • Vá colocando algumas bolinhas para cozinhar. Quando elas boiarem na água, deixe mais um pouquinho e retire com uma escumadeira.
  • Faça isso tantas vezes quantas forem necessárias até cozinhar todas asbolinhas.
  • Coloque as bolinhas no caldo de galinha quente e sirva.
Para fazer o Caldo de Galinha:

O caldo de galinha é um caldo comum, feito com coxa e sobrecoxa de frango, cebola, aipo e cenoura, que se deixa ferver bastante em fogo brando, com bastante água (eu coloco cerca de três litros, para duas ou três coxas com sobrecoxa de frango).

Depois de pronto costumo coar o caldo.

Dica: Faça o caldo de galinha na véspera, deixe na geladeira coado para, no dia seguinte, retirar a gordura que endurece e fica na superfície da tigela. Fica mais saudável.

BOM APETITE!
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