Meu relato (de Jorge): Tomei sopa diariamente, duas vezes por dia, na casa de meus pais, até os 20 anos de idade. Outro dia contarei essas histórias que vêm da forte cultura italiana e agrícola que dominava a cozinha de minha mãe. No entanto - e apesar de que experimentei muitas sopas em minha vida - só conheci a sopa de cebolas em Mury, no Empório do Dengo, numa noite de abril de 2003, quando cheguei com Micheline, com muito frio, àquele restaurante encantador. Foi amor à primeira vista, odores e sabores. Enamorei-me completamente desta sopa densa, saborosa e muito aconchegante.
Hoje, em casa, cortei bem finas as cebolas desta sopa, enquanto Micheline preparou o caldo e os queijos. Na panela de barro maravilhosa que me encanta, ela as refogou na manteiga e em seguida cozinhou tudo bem devagar. Quando a cozinha começou a ser invadida pelo aroma sedutor das cebolas, da manteiga e do queijo derretido, imaginei que quem se sairia bem para o momento à mesa poderia ser Diana Krall e sua interpretação de “Cry me a river”.
Então... experimente: coloque Diana em um volume moderado, baixe a intensidade das luzes...saboreie esta sopa lentamente, coloque um pouco de vinho em seu paladar e deixe que as sensações te invadam ... depois, bem, depois você me conta...

Bem, agora Jorge me passa a palavra...quer dizer...as teclas... para lhes passar a receita.
Conheço e aprecio muitas variações de sopa de cebola, tem à maneira alemã, que é a do Empório do Dengo, mais cremosa, tem a francesa, com queijo Gruyère, vinho branco e fatias de pão no fundo, e tem esta que fazemos em casa, que é bem leve, e Jorge adaptou da "bíblia" da culinária uruguaia, o
Crandon. Tenho o livro, que Jorge me deu de presente em 2003, era a 18ª edição. Este ano, já está na 25ª edição! O instituto que o produz nasceu ainda no século XIX, e preparava moças para suas atividades de dona-de-casa, tinha aulas de economia doméstica. Hoje está mais modernizado, é claro, mas ainda continua imbatível em culinária e tem até receitas online. Mas vamos à receita (a foto abaixo como se vê não passou por photoshop e ficou com os respingos do caldo depois de gratinado...se não quiser que a sua sopa fique assim, cuidado com os respingos, passe um guardanapo de papel nas bordas da tijela, coisa que farei da próxima vez!):

Receita de Sopa de Cebolas à moda do Uruguai (na verdade à moda de Jorge Aldrovandi), para quatro pessoas:
Ingredientes:
½ kg de cebolas (eu conto assim: uma cebola média por pessoa e mais uma cebola para a panela – igual à conta que se faz de chá, onde se acrescenta uma colher pro bule!);
2 colheres de sopa de manteiga;
1 litro de caldo de legumes (pode ser knorr, ou pode preparar o seu em casa, e o cálculo é 250 ml por pessoa);
1 colher de chá de molho inglês;
Sal e pimenta à gosto.
Modo de fazer:
Cortar as cebolas em rodelas finas e, numa panela funda, refogá-las na manteiga, até que fiquem transparentes. Acrescentar o caldo, o molho inglês, o sal e a pimenta. Deixar levantar fervura, abaixar o fogo e deixar cozinhar uns 10 minutos, em panela destampada. Colocar a sopa em recipientes individuais, refratários, da seguinte maneira: no fundo, coloque algumas fatias do queijo de sua escolha, coloque uma concha da sopa, acrescente mais algumas fatias do queijo, e termine de encher o bowl com mais sopa. Por cima, rale um pouco de queijo parmeggiano. Leve ao forno quente para gratinar (cerca de 15 minutos). Sirva com torradas ou croutons.
Sugestão de vinho: um vinho encorpado cai muito bem. Encontram-se facilmente Carmenère chilenos atualmente. Nós tomamos nesse dia um Carmenère, safra 2002, da vinícola Anakena que combinou muito bem.
-------------------------------------------------------------------------------------