domingo, 27 de julho de 2008

Dia 031: Sopa Parmentier

Durante quase um mês, minha filha Elisa Christophe (a única que profissionalmente usa o meu sobrenome) recebeu um amigo inglês aqui em casa, Andy Stinchcombe, diretamente da linda cidade de Bath, que foi ocupada pelos romanos na Antiguidade e onde se encontram ainda seus vestígios, com as impressionantes casas de banho, por exemplo. A cidade é patrimônio da humanidade e tem hoje 80 mil habitantes, menos do que os torcedores que compareceram ao Maracanã, na final da Taça Libertadores, à qual Andy assistiu.

Bem, Andy é gerente de um restaurante na linda cidadezinha onde Elisa estudou e assim se conheceram. E adora sopas, especialmente em horário de almoço. Sua sopa predileta é a de batatas com alho-porró.

Resolvi fazer um jantar com uma receita especial para ele, na semana de sua partida. E lá fui eu pesquisar, para descobrir algumas curiosidades e lendas que repasso a vocês:

A sopa de batatas com alho-porró é muito apreciada na Inglaterra e sua origem é francesa. Há uma lenda que diz que na França, foi introduzida por Antoine Auguste de Parmentier, e por isso leva seu nome. A história é a seguinte: No século XVIII a França foi assolada por uma grande fome, depois da Guerra dos Sete Anos ( 1756-1763). Monsieur Parmentier tinha sido prisioneiro de guerra na Alemanha, e lá foi obrigado a alimentar-se com esta raiz supostamente venenosa de batata. Ao voltar à França encontrou seus conterrâneos famintos e instalou cozinhas de sopa de batatas por toda Paris. Por fim, o rei Luis XVI teria reconhecido seu trabalho e declarado: "A França algum dia lhe será grata por ter encontrado pão para os pobres" . Na verdade, ele ficou mesmo conhecido pelo prazer que os franceses têm em saborear o Potage Parmentier.

O alho-porró é também conhecido como cebolinha francesa, e é abundante naquele país.

Receita de Sopa Parmentier

Ingredientes (para 4 pessoas):
  • 2 alhos-porrós (incluindo só um pouco das partes verdes)
  • 4 batatas médias
  • 1 cebola pequena
  • 1 litro de água (ou caldo de galinha - que não constava na receita do século XVIII)
  • 2 fatias de bacon
  • 100 ml de creme de leite (melhor que seja o fresco): isso equivale a meia caixinha
  • noz moscada ralada na hora
  • 1 colher de sopa de azeite
  • sal e pimenta
  • queijo parmesão ralado.

Modo de fazer:

  • Aqueça o azeite e refogue o bacon até que a gordura fique transparente. Acrescente a cebola picada, as batatas e o alho-porró e refogue até murchar um pouco.
  • Acrescente o caldo (ou a água), deixe levantar fervura, abaixe o fogo, tampe a panela (deixe uma fresta) e cozinhe por 20 minutos, até que as batatas estejam macias.
  • Deixe esfriar um pouco, retire o bacon e pique-o para levá-lo à mesa em uma tijelinha separada, da qual cada um se serve como quiser.
  • Bata a sopa no liquidificador, até virar um creme liso.
  • Volte ao fogo, tempere com sal e pimenta (uma colher - de chá - de sal e meia colher - de café - de pimenta) e acrescente o creme de leite mexendo bem.
Apresentação:
  • Leve a sopa bem quente à mesa em uma sopeira, salpicada com noz moscada.
  • Em tijelas separadas leve um pouco de alho-porró cru, cortado em rodelas finas, o bacon picado em pedaços pequenos, queijo ralado e noz moscada.
  • Cada pessoa acrescenta à sua própria sopa o que preferir: um pouco do alho-porró e do bacon, mais noz-moscada, queijo ralado...
  • Não esqueça de providenciar pão, que pode ser a tradicional baguette francesa, ou um pão mais rústico.
Dica: Os franceses recomendam que se tome esta sopa com um vinho branco gelado. Nós escolhemos um Pinot Grigio ou Pinot Gris, como é conhecido na França, o preferido de Elisa. O Brasil já produz um bom vinho branco Pinot Grigio, da Casa Miolo.

Calmamente ouvimos um CD de John Coltrane que adoro. No YouTube achamos um vídeo da apresentação de Coltrane & Stan Getz com Oscar Peterson, em 1960, em Dusseldorf. Uma preciosidade!
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3 comentários:

Diego Ramos disse...

Nossa senhora! Por que eu nunca soube desta página de vocês dois? Fantástico! Vou colocar a Anninha para certificar todas estas receitas: uma-a-uma. Hehe. Estão de parabéns! Um grande abraço, Diego

Bernard disse...

Se o rapaz gosta de sopa no almoco, por que entao fizeram jantar?!??

Micheline e Jorge disse...

Respondendo a Diego: a graça é experimentar e contar a experiência! E a Anninha pode nos apresentar a uma receita da região natal dela. Quem sabe vem fazer aqui em casa? Vamos adorar.

Respondendo a Bernard: o fato de Andy gostar de sopa no almoço não quer dizer que não a tome no jantar. E nós não almoçamos juntos em casa. Nosso momento de reunião é o jantar, quando inclusive podemos relaxar com uma taça de vinho...