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sábado, 13 de setembro de 2008

Dia 039: Sopa de Peixe / Chowder de Peixe

Domingo de futebol e churrasco. Caetano chamou os amigos para passar a tarde aqui, na "jaqueira" que é como chamamos um privilegiado terreno atrás do prédio onde moramos, parte da encosta do morro do Corcovado, um derramamento da Mata Atlântica com direito a macacos-prego, tucanos... e morcegos. Muitas aventuras de "Indiana Jones" e caça ao tesouro foram vividas aí na infância dos meus filhos.

Churrasco é ótimo, Caetano faz super bem, o local é ótimo, mas me deu uma preguiiiiiiiiiiça e estava ventando.

Resultado: Jorge e eu ficamos em casa, beliscando e bebericando durante o dia, e, no final da tarde, Jorge decidiu fazer a sopa que estava planejando há dias. Receita do infalível Crandon, é claro! Ele preparou um consistente Chowder de Peixe. Novamente, é o Crandon quem nos ensina que o chowder é uma sopa espessa, em que se deixam os alimentos em pedaços bastante grandes. E arremata que facilmente pode ser o prato único de uma refeição, por seu valor nutritivo, devido à variedade de ingredientes que o compõem.

Acabado o churrasco, Pedro Rossi, Bruno Negreiros e meu genro, Pedro Ninô, subiram com Caetano para assistir ao jogo. Nossa sopa compartilhada acabou regada a um suave som de violão e pandeiro e vozes afinadas dos rapazes, cantando Dorival Caymmi, Chico Buarque e outras delícias brasileiras. Quando todos se foram, Jorge e eu ficamos na sala ouvindo preciosidades de Caymmi, como esta Maricotinha, cantada por ele - revirando olhos como sempre! - e Chico.


Receita de Sopa de Peixe / Chowder de Pescado

Ingredientes (para 6 pessoas):
  • 1 kg de peixe em postas ou 750 g de peixe em filé
  • 1/2 cebola picada
  • 100 g de bacon cortado em cubinhos
  • 2 batatas grandes cortadas em cubos
  • 2 xícaras e 1/2 (de chá) de polpa de tomate pelado (pode usar o de lata ou fazer o seu)
  • 1 litro de leite (eu uso o semi-desnatado)
  • 1 colher (de chá) de sal
  • 1 colher (de café) de pimenta do reino
  • 1 colher (de sopa) de manteiga
  • 2 xícaras (de chá) de água.

Modo de fazer:

  • Lave o peixe em água com limão e escorra.
  • Numa panela funda, frite o bacon e em seguida acrescente a cebola picada. Refogue.
  • Acrescente as batatas picadas e a água. Deixe levantar fervura.
  • Acrescente a polpa de tomate, o peixe em postas inteiras ou em filés (nem precisa cortar, porque ele se desmancha sempre com o cozimento).
  • Cozinhe em fogo baixo e panela destampada por uns dez minutos.
  • Acrescente o leite pré-aquecido, tempere com sal e pimenta, prove e corrija os temperos e junte a manteiga.
  • Deixe cozinhar lentamente por mais 10 a 15 minutos, só para tomar gosto.
  • Sirve bem quente.
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sexta-feira, 6 de junho de 2008

Dia 015: Chowder de Choclo / Sopa de Milho

Pelo menos uma vez por semana, a escolha da sopa cabe ao Jorge... e a preparação também! Fico eu de assistente, picando, descascando... cumprindo ordens, aiai... O resultado é ótimo! A gente bem que se diverte. Vai o relato dele e depois a receita:

"Acredito que ficou claro que este tema das sopas eu inventei junto com Micheline para nos encontrar ao final do dia... É que ainda sendo que a gente trabalha em casa, boa parte do tempo vejo a Micheline pelo skype ou "falo" com ela apenas pelo MSN...

Para mim, fazer as sopas é um jeito para continuar namorando ela!

Assim esta semana eu pensei... 'como é que vou namorar minha mulher?' Escolhi uma receita simples, consegui imaginar ela e até consegui que Micheline colaborasse, sem reclamar.

Manteiga e cebolas picadas bem pequenas para começar... o cheiro é muito bom e sensibiliza os sentidos.. Está vendo? Bem, logo acrescenta as batatas pequenas e o caldo... e deixa ferver...

Escolhi o tema "Aaj Mera Jee Kardaa" do filme "Monsoon Wedding".. um golpe bem baixo mesmo, pues sei que Micheline não só é apaixonada mas fica bem arrepidada... com a música dos seus ancestrais do oriente.

Assim namorando chegou a hora de colocar o milho e logo o leite...

Perfeito! Acredite, a panela ficou vazia e os dois sonhando com "Love And Marigolds" do mesmo filme.

Confira... Isso sim, tem de procurar um bom cúmplice...".
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Do Crandon aprendemos que chowder é uma sopa espessa em que se deixam os alimentos em pedaços bastante grandes. E que facilmente pode ser o prato único, já que é de alto valor calórico e muito nutritivo pela variedade de ingredientes que geralmente o compõem. Pesquisando mais, descobrimos que equivale ao francês chaudière, e que vem do Latim, caldāria.


Receita de Chowder de Choclo / Sopa de Milho

Ingredientes (para 4 pessoas):
  • 4 espigas de milho (ou uma lata de milho verde);
  • 2 batatas graúda cortada em cubos;
  • 1/2 xícara (de chá) de cebola picada;
  • 3 colheres de sopa de manteiga;
  • 2 xícaras (de chá) de água;
  • 1 1/2 xícaras (de chá) de leite;
  • sal e pimenta.
Modo de fazer:
  • Derreta a manteiga, dourar a cebola;
  • Junte as batatas cortadas en cubos, a água ou caldo e cozinhe até que estejam macias;
  • Acrescente o milho cozido e debulhado (use uma faca para cortar os grãos depois que tiver cozinhado as espigas), o leite, tempere com sal (cerca de 2 colheres de chá) e pimenta a gosto;
  • Deixe levantar fervura e sirva imediatamente
Fonte: Crandon
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sábado, 10 de maio de 2008

Dia 007: Sopa Campestre de Arroz

Campestre porque feita com verduras e legumes encontrados em qualquer hortinha, no Brasil ou no Uruguai.

Foi Jorge quem escolheu esta receita e a preparou. Nunca vi ninguém gostar tanto de arroz quanto ele. É capaz de comer pratos de arroz puro! Quando o conheci, comia arroz branquinho, bem solto. Aqui em casa, há muitos anos só consumimos arroz integral, que achamos mais saboroso e nutritivo. E assim ele foi se acostumando aos novos sabores. A ponto de ter substituído na sopa de sua memória infantil o arroz branco pelo atual, mais moreninho, integral. Deixo-lhes seu relato (e quem não entender, deixa um comentário que traduzo):

“Vea bien. Esta sopa se trata en realidad de picar bien finito, rayar, dorar y poco más. Apio, perejil, zanahoria y cebollinos en los vegetales, arroz y manteca y caldo bien caliente. Simple.
Más abajo Micheline les cuenta cómo hacer.

Ahora juntar estas 4 o 5 cosas y hacer de ellas (del camino y del resultado) un encanto para los sentidos... eso ya es otra cosa.

La conversación se fue estirando, lavamos con Micheline la vajilla del mediodía y ... allá fue la olla de barro para la mesa, invadiéndonos de sensualidad.

En nuestros platos un huevo crudo y por encima colores y sabores bien calientes.

En el aire, Astor Piazzolla y en el paladar un mundo de sensaciones.

Para terminar el día... estuvo bueno demás” (Jorge Aldrovandi).


Já viram, né, a noite foi bem romântica, ainda mais com o "golpe baixo" de Jorge de colocar uma de minhas músicas favoritas: Adiós Nonino, de Astor Piazzolla... A receita abaixo, Jorge a consultou no Crandon, a "bíblia" da Culinária Uruguaia, devidamente traduzida para vocês, por mim.


SOPA CAMPESTRE DE ARROZ

Ingredientes (para quatro pessoas):

1/2 xícara (de chá) de arroz
2 colheres de sopa de manteiga
1 xícara (de chá) de cenoura ralada
1/2 xícara (de chá) de aipo picado
1/2 xícara (de chá) de cebolinha picada (ambas as partes, a verde e a branca)
2 colheres de sopa de salsa picada
2 litros de caldo fervendo (Jorge fez com 2 tabletes de caldo de legumes knorr).

Modo de fazer:

Numa panela funda, dourar o arroz na manteiga, juntar o caldo e os legumes picados, inclusive salsa e cebolinha). Cozinhar em fogo brando, com a panela tampada, até que o arroz esteja bem macio. Condimentar com sal e pimenta a gosto (nós não colocamos sal, por causa do tablete de caldo knorr que já tem sal suficiente).

Servir bem quente com pão ou torradas à parte.

Opcional: na hora de ir à mesa, quebrar em cada tigela um ovo e verter a sopa bem quente por cima. Ou colocar algumas unidades de muzzarela de búfala, aquela pequena em bolinhas.

Acompanhar de vinho tinto (um Carmenère ou Tanat vão super bem: nós servimos um Tanat Don Pascual, da Casa Juanicó, uma das melhores vinícolas do Uruguai, e que já pode ser encontrado no mercado brasileiro).

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sábado, 3 de maio de 2008

Dia 004: Sopa de Cebolas à moda do Uruguai

Meu relato (de Jorge):

Tomei sopa diariamente, duas vezes por dia, na casa de meus pais, até os 20 anos de idade. Outro dia contarei essas histórias que vêm da forte cultura italiana e agrícola que dominava a cozinha de minha mãe. No entanto - e apesar de que experimentei muitas sopas em minha vida - só conheci a sopa de cebolas em Mury, no Empório do Dengo, numa noite de abril de 2003, quando cheguei com Micheline, com muito frio, àquele restaurante encantador. Foi amor à primeira vista, odores e sabores. Enamorei-me completamente desta sopa densa, saborosa e muito aconchegante.

Hoje, em casa, cortei bem finas as cebolas desta sopa, enquanto Micheline preparou o caldo e os queijos. Na panela de barro maravilhosa que me encanta, ela as refogou na manteiga e em seguida cozinhou tudo bem devagar. Quando a cozinha começou a ser invadida pelo aroma sedutor das cebolas, da manteiga e do queijo derretido, imaginei que quem se sairia bem para o momento à mesa poderia ser Diana Krall e sua interpretação de “Cry me a river”.

Então... experimente: coloque Diana em um volume moderado, baixe a intensidade das luzes...saboreie esta sopa lentamente, coloque um pouco de vinho em seu paladar e deixe que as sensações te invadam ... depois, bem, depois você me conta...

Bem, agora Jorge me passa a palavra...quer dizer...as teclas... para lhes passar a receita.

Conheço e aprecio muitas variações de sopa de cebola, tem à maneira alemã, que é a do Empório do Dengo, mais cremosa, tem a francesa, com queijo Gruyère, vinho branco e fatias de pão no fundo, e tem esta que fazemos em casa, que é bem leve, e Jorge adaptou da "bíblia" da culinária uruguaia, o Crandon. Tenho o livro, que Jorge me deu de presente em 2003, era a 18ª edição. Este ano, já está na 25ª edição! O instituto que o produz nasceu ainda no século XIX, e preparava moças para suas atividades de dona-de-casa, tinha aulas de economia doméstica. Hoje está mais modernizado, é claro, mas ainda continua imbatível em culinária e tem até receitas online. Mas vamos à receita (a foto abaixo como se vê não passou por photoshop e ficou com os respingos do caldo depois de gratinado...se não quiser que a sua sopa fique assim, cuidado com os respingos, passe um guardanapo de papel nas bordas da tijela, coisa que farei da próxima vez!):

Receita de Sopa de Cebolas à moda do Uruguai (na verdade à moda de Jorge Aldrovandi), para quatro pessoas:

Ingredientes:

½ kg de cebolas (eu conto assim: uma cebola média por pessoa e mais uma cebola para a panela – igual à conta que se faz de chá, onde se acrescenta uma colher pro bule!);
2 colheres de sopa de manteiga;
1 litro de caldo de legumes (pode ser knorr, ou pode preparar o seu em casa, e o cálculo é 250 ml por pessoa);
1 colher de chá de molho inglês;
Sal e pimenta à gosto.

Modo de fazer:

Cortar as cebolas em rodelas finas e, numa panela funda, refogá-las na manteiga, até que fiquem transparentes. Acrescentar o caldo, o molho inglês, o sal e a pimenta. Deixar levantar fervura, abaixar o fogo e deixar cozinhar uns 10 minutos, em panela destampada. Colocar a sopa em recipientes individuais, refratários, da seguinte maneira: no fundo, coloque algumas fatias do queijo de sua escolha, coloque uma concha da sopa, acrescente mais algumas fatias do queijo, e termine de encher o bowl com mais sopa. Por cima, rale um pouco de queijo parmeggiano. Leve ao forno quente para gratinar (cerca de 15 minutos). Sirva com torradas ou croutons.

Sugestão de vinho: um vinho encorpado cai muito bem. Encontram-se facilmente Carmenère chilenos atualmente. Nós tomamos nesse dia um Carmenère, safra 2002, da vinícola Anakena que combinou muito bem.

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